quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Ramo de Flores

No outro dia lá ia alegre e contente o bom Vincent.



Françoise trabalhava na mercearia, parecia estar ainda mais bem disposta do que o costume.



Vincent reconhecia naquele sorriso a suprema felicidade de estar apaixonado...ou não.



Lembrou-se que ela nada tinha dito a cerca disso.



Mesmo assim ela tinha "o sorriso dos parvos".



Estava lindíssima naquele dia. Ele gostava de a ver daquela maneira.



Tinha um vestido verde de manga curta, tinha o cabelo bem penteado, com um gancho a afastar a franja e uns botins pretos que ele ainda não tinha visto.



Ela viu-o a olhar para ela do outro lado da estrada. Sorriu-lhe e acenou-lhe e ele fez-lhe o mesmo.



Entrou de novo na mercearia. Que desilusão! Queria ficar ali a olhar para ela durante mais alguns momentos.



Já sei! Pensou ele. Correu ao outro lado da rua, chegou-se ao pé da velhinha que lá vendia flores e comprou-lhe um ramo generoso.



Depois foi até à mercearia onde chocou com Françoise que carregava uma caixa de pêras.



Deixaram os dois cair aquilo que carregavam.



Puseram-se a apanhar tudo e a pedir desculpa quando viram quem tinha esbarrado com eles.



Vincent sem dizer absolutamente nada entregou-lhe o ramo a sorrir e ela, sem dizer nada recebeu-o e cheirou-o levantando-se.



Vincent apanhou as pêras sozinho, pondo-as dentro da caixa.



Levantou-a e ficou mesmo em frente de Françoise a olhar para ela.







- Do you like it? (Gosta?)


- Yes, very much. (Sim, muito.) - Mas o papa não gostou muito daquilo embora todo aquele gesto tenha sido executado na simplissidade e na sinceridade total.



O velho Roumanoff não gostava de certos rapazes. E perguntava se aquele rapaz era um desses.

Para piorar a situação, Pierre, o irmão de Françoise chegou naquele momento.



Tinha uma cara carrancuda, um corpo enorme, bigodes muito finos, usava um cachecol vermelho possivelmente feito pela irmã, uma blusa às riscas, as calsas presas por suspensórios vermelhos, e claro! a típica boina francesa.

Logo que viu Vincent percebeu logo o que ele estava a tentar fazer.


Espera aí que eu já te tramo, pensou Pierre.

- Qu'est-ce qu'il se passe? Cet emmerdeux t'ennuie, Françoise? (Que é que se passa? Este monte de esterco aborrece-te, Françoise?) - Perguntou Pierre metendo-se à frente da irmã, fazendo-se mais carrancudo e agressivo para Vincent.

- Pas du tout Pierre, laisse le! Il m'a juste offert quelques fleurs! (De maneira alguma, Pierre, deixa-o! Ele só me ofereceu algumas flores!) - Defendeu Françoise.

- Ecoute bien, mon idiot, je veux pas des bêtises! ... (Escuta bem, meu idiota, não quero asneiras! ...) - Rugiu Pierre com o dedo indicador apontado ao nariz de Vincent.

- Pierre!

- Quoi? (O que foi?)

- Il ne parle pas français. Et surtout ne l'insulte pas. Il est un bon homme! (Ele não fala francês. E não o insultes. Ele é um bom homem!) - Disse Françoise, revoltada.

- Ah bon? (Ah sim?) - Pierre ponderou um pouco. - Il est American?

- Oui! (Sim!)

- C'est lui... (É ele...)

- Oui...C'est lui, le garçon american qui est notre voisin! (Sim...É ele o rapaz americano que é nosso vizinho.)

- I'm terribly sorry about what I said and I take it back. And I want to thank you for bringing my sister home in the Jour de la Bastille.

- You are welcome. - Vincent pôde respirar novamente. O pobre coitado estava vermelho de vergonha.

- I'll be watching you...Don't even think of doing something to my sister!

- Ça suffit, Pierre! Je ne suis plus un enfant. Je n'ai pas besoin d'un frére toujours en train de menacer mes amis quand il me viennent visiter. Ce n'est pas très gentille de ta part! Pour nous mettre peur, les allemands nous ont suffit. (Já chega, Pierre! Já não sou uma criança. Não preciso de um irmão sempre prestes a ameaçar os meus amigos quando me vêem visitar. Não é simpático da tua parte! Para nos meter medo, os alemães chegaram-nos.) - Disse ela, irritadissima.

- Mais, ma douce... (Mas, minha doce...)

- Je veux plus un mot! Laisse Vincent en paix! (Não quero mais uma palavra! Deixa o Vincent em paz!) - Pierre resumiu-se à sua insignificância e foi juntar-se ao pai. - I'm really sorry for my brother's attitude. (Peço desculpa pela a atitude do meu irmão).

- I just came to give you this flowers and wish you a wonderful day. (Eu vim aqui só para te dar estas flores e para te desejar um dia maravilhoso.) - Ela sorriu e baixou o olhar como quem está arrependido e agradecido.

- I'm thankful. This hasn't been my day. I'm really tired. ( Estou-te agradecida. Não tem sido o meu melhor dia. Estou bastante cansada.)

- It's O.K. Do you have my answer? (Deixa lá. Já tens a minha resposta?)

- Not yet. Not here. (Ainda não. Não aqui.) - Vincent riu.

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