A pobre coitada já teria caído umas milhentas vezes se não fosse Vincent.
Atravessaram a ponte e foram até ao parque.
Lá Françoise conseguiu largar-se e patinar um pouco sozinha acabando por cair na relva.
Vincent riu à gargalhada com ela.
No outro dia, encontraram-se por acaso.
Pararam um em frente ao outro, Vincent disse-lhe que não sabia que naquele dia era feriado.
Ela explicou-lhe tudo. Soube por ela que ia haver uma festa e ele convidou-a para ir.
Françoise corou e sorriu e fez-se de rogada.
- I'll have to ask to my father... (Terei de pedir ao meu pai...)
- O.K. I'll wait for you at te party. (O.K. então eu espero por si na festa.) - E assim foi. Vincent foi até casa, arranjou-se, lavou-se todo bem lavadinho, passou a roupa duas vezes, engraxou os sapatos umas três vezes, penteou o cabelo duas vezes, verificou a barba, perfumou-se, levou cinco minutos para escolher o chapéu que ficava melhor com o casaco. Finalmente saiu de casa e foi ter ao Ringo's cafè, onde as melhores festas se davam.
Quando chegou, via apenas o ambiente mais animado de toda a Paris, com uma banda a tocar, muita gente a dançar e no meio da gente ele tentava encontrar Françoise.
Os garçons, lá andavam a servir bebidas às mesas.
E esperou, esperou e voltou a esperar....esperou mais um bocadinho...lá estava ela!
Françoise entrava naquele momento.
Várias pessoas iam cumprimentando-a à passagem.
Lá se encontraram.
- Hello! (Olá!)
- Hello! (Olá!) - Disse ela a sorrir.
- Do you want something to drink? (Quer alguma coisa para beber?)
- Yes, a coca-cola, please. (Sim, uma coca-cola por favor.) - Vincent pediu uma coca-cola, deu-lha e ficou a olhar para ela a beber da garrafa. Sorriram os dois. - Why are you staring at me? (Por que é que está a olhar fixamente para mim?)
- You have beautiful eyes. (Tem uns olhos lindos.) - Ela sorriu mais abertamente.
- I don't know which colour your eyes are. Are they green or blue? (Não sei de que cor são os seus olhos. São verdes ou azuis?)
- Neither green, or blue. They're grey. Like a wolf. (Nem verdes nem azuis, são cinzentos. Como os de um lobo.)
- Your a lamb. Tender and sweet as a lamb. (Você é um cordeiro. Carinhoso e doce como um cordeiro.) - Ela acabou a coca-cola e pegou-lhe nas mãos, levando-o para o meio da sala.
E ali dançaram até o Ringo's estar quase vazio.
Vincent tinha uma mão nas costas dela e a outra na mão dela, enquanto Françoise tinha a outra mão no ombro dele.
Finalmente sairam. Vincent pôs-lhe o seu casaco pelas costas dela.
- I'll take you home. (Vou leva-la a casa.) - Disse ele. E lá foram lado a lado, Françoise a olhar para o chão e Vincent a olhar para o ar para ver se lhe caía alguma coisa em cima (o que não ocorreu). Estava simplesmente a não querer olhar para Françoise porque não queria que ela notasse que estava todo corado.
E ela que já tinha notado isso, ria baixinho e para dentro.
À porta do prédio onde morava Françoise eles despediram-se.
- Well, I guess it's time for me to go. (Bom, acho que é hora de me ir embora.) - Françoise sorriu.
- I'll try to sleep. This evening has been wonderful. (Vou tentar dormir. Esta noite tem sido maravilhosa.)
- I'm glad that you liked it. (Estou feliz por ter gostado.) - Françoise queria fazer conversa mas não sabia como e ele idem.
- I'll go now. (Vou agora.) - Antes que ela pudesse fazer algo, desta vez foi Vincent a dar-lhe um beijo. Um pequeno beijo nos lábios vermelhos. Ela começou a rir como uma criança. A Vincent encantava-lhe aquela doçura e inocência que ela tinha. Não havia maldade nos olhos dela, apenas pureza. Era novinha, era meiga, calma.
- Now you have lipstick in your lips. (Agora tem bâton nos seus lábios.)
- Paint me. I like it. (Pinte-me. Eu gosto.) - Riram os dois á gargalhada.
- Do you love me? (Ama-me?)
- I do. And you? (Sim, e você?)- Ela abriu a porta e rindo disse:
- I won't tell you yet. (Não lhe vou dizer ainda.)
- Will you come tomorow to my cafè? (Virá amanhã ao meu cafè?)
- Maybe. - Disse ela a rir. Mais uma vez espetou-lhe com um beijo, desta vez era ela que lhe beijava os lábios. E aquele beijo foi mais profundo que o anterior. Vincent teve tempo de lhe acariciar o rosto e os cabelos e também de a puxar mais para si. Mas ela, com aquela atitude de menina, afastou-se de repente entrou no prédio e deixando-o a sorrir e a olhá-la fechou a porta.
Françoise suspirou. Naquela noite nem um nem outro adormeceram sem pensar um pouco nos beijos que tinham dado e recebido.
Vincent esperava vê-la na manhã seguinte.
Queria fazer-lhe o cappuccino que ela tanto gostava, conversar com ela na mesa á janela que ela tanto gostava, queria agarrar-lhe na mão branca e macia.
Queria ver o rosto sorridente que percebeu de que tanto gostava/amava.
Seria aquilo o que ele estava a pensar?
Françoise também pensava nele, deitada na sua cama, olhava o tecto com um olhar sonhador. Tinha deixado a janela aberta. Estava calor. A luz das estrelas daquela noite feliz de feriado nacional estava a deixa-la mais luminosa.
Gostava ela de Vincent ou ele era só um daqueles namoros de Verão do qual se rouba um beijo por divertimento?
Ela gostava dele. Tal como ela disse, ele era "um cordeiro".