segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Que rapariga!

Depois de ter feito o cappuccino e de ter dado as suas ordens ao seu empregado, Vincent voltou à mesa onde estava Françoise.
Sentou-se mais junto a ela.
Falaram sobre inúmeras coisas, ela contou um pouco de como era o seu dia-a-dia, ele contou-lhe o dele.
Ela contou-lhe o passado, ele contou-lhe o passado.

- I love your cappuccino... (Adoro o seu cappuccino...) - Disse ela a sorrir e a lamber os lábios. Os olhares cruzaram-se de novo.

- Thank you! (Obrigado!)
Dois sorrisos infantis e inocentes apareceram nos lábios deles.
Foi ela que quebrou o contacto visual olhando para a mesa com olhar modesto e o rosto algo corado.
A música no gramofone soava suave. Demasiado suave.

- Hum...do you want to go for a walk tomorow afternoon? (Hum...quer ir dar um passeio amanhã à tarde?) - Perguntou Vincent tendo a audácia para tal, ainda que uma audácia gentil e meiga.

- Yes. (Sim.) - E ele sentiu-se como se a tivesse pedido em casamento e ela o tivesse aceitado.
Que parvoíce, disse para si mesmo.


Naquele pequeno estabelecimento notava-se algo de diferente. Todos os clientes olhavam para aquela mesa com curiosidade.
Viam neles os próximos pombinhos do bairro. Mas um aperto de mão e um leve sorriso que não queria mostrar coisas verdadeiras quebrou a magia.
A magia que os dois tinham feito a par, ao longo daquele breve encontro.
E somente aquele breve encontro desencadeou todo o resto.
Falamos de sentimentos.

- Ah! L'amour... (Ah! O Amor...) - Disse o empregado.

- Shut up, Gaston! (Cala-te, Gaston!)- Exclamou Vincent algo envergonhado.
Françoise ouviu, virou-se para trás e riu. Nem ela sabia porque ria.
Agarrou-se à porta e simplesmente riu. Vincent começou a rir também ele. Gaston riu também e em breve aquele pequeno cafè estaria a explodir em risos.

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